Van Til assinalou que “a imagem de Deus no sentido mais amplo ou mais geral” significa que o homem, assim como Deus, é uma personalidade. No homem redimido, isso significa que o homem se torna progressivamente cada vez mais uma pessoa, consciente de si mesmo em seu crescimento e caráter, em oposição a estar inconsciente de sua natureza, e manifestando continuamente, de modo cada vez maior, a imagem de Deus em conhecimento, justiça, santidade e domínio. Vista a partir dessa perspectiva, a santificação é, portanto, o desenvolvimento da personalidade do homem.
A queda do homem, contudo, também produz seu efeito sobre esse aspecto do ser humano. Visto que cada faceta do ser do homem testemunha acerca do Deus soberano, torna-se imperativo para o homem rebelde negar esse testemunho por meio de uma fuga da personalidade. O homem passa, então, a buscar o anonimato. Ele deseja tornar-se um rosto na multidão. A cidade tanto agrava a solidão do homem, por causa de sua vida impessoal, quanto o satisfaz em sua fuga da personalidade. O homem reprime sua natureza inteiramente pessoal e consciente de si mesmo porque considera penoso viver com ela.
Por essa razão, tanto antes quanto depois de Freud, o conceito de inconsciente exerceu enorme atração sobre o homem. A culpa que o homem sente intensa e conscientemente diante de Deus é atribuída por ele a forças antigas e primitivas presentes em sua mente inconsciente. Desse modo, Freud despersonaliza a culpa mediante seus conceitos de id, ego e superego. Despersonalizar a culpa significa também despersonalizar o homem. Assim, na prática de seu pecado e de sua rebelião contra Deus, bem como em sua vida profana, o homem encontra sua autoexpressão e seu prazer. Nisso, o homem ainda é pessoal. Quando surge a culpa, porém, o homem insiste em despersonalizá-la e em atribuí-la a antigos impulsos inconscientes.
