Destrói-os na tua verdade — Salmo 54:5

Acervos · Traduções · John W. Robbins

C. S. Lewis foi para o céu?

John W. Robbins

·Baixar PDF

C. S. Lewis[^1] foi um dos escritores anglicanos mais influentes do século XX, se não o mais influente. Nenhum cristão ocidental bem informado poderia ter vivido em meados e na segunda metade do século XX sem ter tido contato com Lewis, pois ele foi tanto prolífico quanto amplamente divulgado. Quando eu era jovem, era fascinado por Lewis, como suponho que aconteça com muitos jovens. Após sua morte, em novembro de 1963, desenvolveu-se nos Estados Unidos um complexo literário e teológico em torno de C. S. Lewis, com dezenas, senão centenas, de livros e milhares de ensaios sobre ele publicados, em grande parte por seus admiradores. Seus livros venderam milhões de exemplares, muito mais depois de sua morte do que em qualquer período de sua vida. Apesar de tudo isso, pouca atenção crítica foi dedicada às ideias teológicas que Lewis efetivamente ensinou em seus livros, mesmo por aqueles que se dizem protestantes e evangélicos. Dei à minha palestra um título provocativo na tentativa de levar algumas dessas pessoas a pensar criticamente sobre a teologia de Lewis.

E elas têm bons motivos para fazê-lo, pois Lewis não era evangélico. Escrevendo em We Remember C. S. Lewis, James Houston, professor da Universidade de Oxford durante 23 anos e, posteriormente, diretor fundador e chanceler do Regent College, em Vancouver, Colúmbia Britânica, afirmou que Lewis «não tinha vínculos culturais com os evangélicos. Não tinha amigos entre eles [...]. Seus amigos eram todos anglocatólicos ou católicos [...]. Lewis, é claro, foi adotado pelos evangélicos dos Estados Unidos de uma maneira que o teria deixado muito desconfortável. Ele não convivia com eles; não se considerava um deles».[^2]

Apesar da aceitação ampla e entusiasmada de Lewis nos círculos evangélicos dos Estados Unidos, ou talvez por causa dela, é necessário levantar a seguinte questão: em que C. S. Lewis realmente acreditava e o que ensinava a respeito de Deus, do homem, do pecado, da salvação, das Escrituras, do governo e da sociedade? Este artigo, parte de um livro em preparação, examina seus ensinamentos sobre esses assuntos e conclui que Lewis não pode ser corretamente chamado de evangélico e que só pode ser chamado de cristão em sentido histórico ou nominal. Em um ponto após o outro, Lewis ensinou doutrinas contrárias às Escrituras. Ele negou a inerrância das próprias Escrituras; rejeitou a doutrina da expiação penal substitutiva; apresentou uma concepção estranha da ressurreição do corpo, para mencionar apenas três exemplos. Em um tópico após o outro da teologia cristã, as opiniões de Lewis eram antibíblicas e anticristãs.

Há alguns anos, esta Sociedade examinou os limites do termo «evangélico». Se estabelecermos que esses limites incluem a crença na inerrância das Escrituras, C. S. Lewis não era evangélico e não teria recebido permissão para ingressar na Sociedade Teológica Evangélica.[^3] Por que, então, existe tamanha admiração por Lewis nos círculos evangélicos?

Uma explicação possível é que os círculos evangélicos norte-americanos já não sejam evangélicos. Os evangélicos modernos, ao contrário dos evangélicos do século XVI, ou não creem nas doutrinas da sola Scriptura e da sola fide, ou não lhes dão ênfase, embora historicamente essas sejam as marcas doutrinárias distintivas de um evangélico. Isso se tornou dolorosamente claro na última década, com o surgimento de movimentos como Evangelicals and Catholics Together (Evangélicos e Católicos Juntos), liderados e abertamente apoiados por homens que afirmam ser evangélicos e são amplamente considerados como tais. Alguns deles são membros desta Sociedade, e um deles, Charles Colson, atribui suas atividades ecumênicas à influência de C. S. Lewis.[^4]

Uma explicação menos plausível é que Lewis fosse, no fundo, um verdadeiro evangélico. Mas, qualquer que fosse o conteúdo do coração de Lewis, o conteúdo de seus livros não era doutrina evangélica; e, se suas declarações públicas não são evangélicas, podem elas, ou pode ele, ser considerados cristãos? Existe alguma crença mínima necessária para entrar no céu, ou todos nós aceitamos a noção anticristã de que Deus ama todos os homens e deseja salvar a todos, independentemente de suas crenças? Será que o universalismo implícito no arminianismo, que constitui a posição majoritária das igrejas norte-americanas há quase dois séculos e que recentemente irrompeu na controvérsia sobre a abertura de Deus, levou os protestantes norte-americanos a aceitar Lewis como um irmão em Cristo sem qualquer questionamento?

Seja qual for a solução para o enigma da veneração de Lewis nos círculos evangélicos, é meu dever dizer-lhes hoje que Lewis não era evangélico e que só pode ser chamado de cristão em um sentido muito precário. Permitam-me discutir brevemente seus ensinamentos sobre as principais doutrinas essenciais ao cristianismo. Começarei pela doutrina que mais interessa a esta Sociedade: a doutrina das Escrituras.

A opinião de Lewis sobre as Escrituras

Lewis admitia que «toda a Sagrada Escritura é, em certo sentido, embora nem todas as suas partes no mesmo sentido, a palavra de Deus».[^5] Deixando de lado a questão de quais livros Lewis designava pelo termo «Sagrada Escritura», será verdade que a expressão «palavra de Deus» é usada em sentidos diferentes para as diversas partes das Escrituras? Os Salmos são a palavra de Deus em um sentido diferente daquele em que Romanos o é? Se for assim, quais são esses diferentes sentidos? Em uma carta que escreveu a Clyde Kilby em 7 de maio de 1959, Lewis argumentou: «Se toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do Pai das luzes, então todos os escritos verdadeiros e edificantes, estejam ou não nas Escrituras, devem, em certo sentido, ser inspirados».[^6] Lá está novamente a expressão «em certo sentido», sem maiores explicações, acompanhada da afirmação de que escritos que não pertencem às Escrituras são «inspirados», isto é, vêm de Deus. O resultado de um exame, mesmo breve, das declarações de Lewis sobre as Escrituras é deixar-nos muito menos seguros de que ele tenha afirmado qualquer coisa distintamente cristã ou bíblica a respeito da Sagrada Escritura. Um estudioso simpático a Lewis concluiu que «Lewis não restringe suas concepções religiosas à Bíblia, mas reconhece a revelação de Deus nas obras-primas da literatura, em outras religiões, nos mitos do mundo antigo e por meio da razão e da intuição humanas. O cristianismo é verdadeiro [...] não apenas porque a Bíblia o diz, mas porque Deus escolhe revelar-se de muitas maneiras diferentes, embora supremamente por meio de Cristo».[^7]

A questão fundamental de como podemos saber qualquer coisa exata a respeito de Cristo à parte de uma Escritura revelada e isenta de erro não é uma questão que Lewis considere. Parece que ela nem sequer lhe ocorre. Quando Lewis enumera, em Christian Reflections, os pressupostos de seus argumentos, apresenta-os como «a divindade de Cristo, a verdade dos credos e a autoridade da tradição cristã», uma rejeição do princípio bíblico e reformado da sola Scriptura. Não apenas as Escrituras somente deixam de ser o pressuposto ou fundamento de seus argumentos, como nem sequer são mencionadas como pressuposto ou fundamento. Esta Sociedade possui uma «Base Doutrinária», que é a sola Scriptura. Segundo sua declaração em Christian Reflections, os fundamentos teológicos de Lewis não incluem as Escrituras, exceto na medida em que a «tradição» possa incluí-las.

Naquela carta de 7 de maio de 1959, escrita em resposta ao pedido do sr. Kilby para que Lewis comentasse a declaração do Wheaton College sobre a inspiração da Bíblia, Lewis passou a explicar a questão com algum detalhe:

Qualquer concepção que tenhamos da autoridade divina das Escrituras precisa levar em conta os seguintes fatos.

  1. A distinção que São Paulo faz em 1 Coríntios 7 entre [«não eu, mas o Senhor»] e [«falo eu, não o Senhor»].
  2. As aparentes inconsistências entre as genealogias de Mateus 1 e Lucas 3; e entre os relatos da morte de Judas em Mateus 27:5 e Atos 1:18-19.
  3. O próprio relato de São Lucas sobre como obteve seu material (1:1-4).
  4. A natureza reconhecidamente não histórica (não digo, é claro, falsa) de pelo menos algumas narrativas das Escrituras (as parábolas), o que pode muito bem estender-se também a Jonas e Jó.
  5. Se toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do Pai das luzes, então todos os escritos verdadeiros e edificantes, estejam ou não nas Escrituras, devem ser, em certo sentido, inspirados.
  6. João 11:49-52. A inspiração pode operar em um homem perverso sem que ele o saiba, e ele pode então proferir tanto a inverdade que pretende (a conveniência de fazer de um homem inocente um bode expiatório político) quanto a verdade que não pretende (o sacrifício divino).

Esses «fatos», disse Lewis, «excluem a concepção de que se possa presumir que qualquer passagem, tomada isoladamente, seja inerrante exatamente no mesmo sentido que qualquer outra; por exemplo, que os números dos exércitos do Antigo Testamento [...] sejam estatisticamente corretos porque a história da Ressurreição é historicamente correta».

Lewis apresentou uma concepção muito subjetiva, quase neo-ortodoxa, da inspiração quando escreveu: «Creio plenamente que a operação geral das Escrituras consiste em transmitir a Palavra de Deus ao leitor (que também precisa da inspiração divina) que as lê com o espírito correto».

Em seguida, Lewis negou o que se poderia chamar de inspiração objetiva: «Que elas [as Escrituras] também deem respostas verdadeiras a todas as perguntas [...] que ele [o leitor] possa fazer, nisso não creio. O próprio tipo de verdade que frequentemente exigimos nem sequer era, na minha opinião, concebido pelos antigos».

Essa referência a tipos de verdade, que Lewis, mais uma vez, não explicou, conduz-nos a problemas epistemológicos mais complexos, que não podemos discutir aqui hoje. Pretendo tratar desses problemas em meu livro. Mas está claro que Lewis negava que as Escrituras fossem completamente verdadeiras no sentido comum da palavra «verdadeiro».

Na opinião de Lewis, o apóstolo João foi quase tão bem quanto James Boswell ao registrar corretamente os fatos: «Ou isto [o Evangelho de João] é uma reportagem, embora sem dúvida possa conter erros, bastante próxima dos fatos, quase tão próxima quanto Boswell; ou então algum escritor desconhecido do século II, sem predecessores ou sucessores conhecidos, antecipou subitamente toda a técnica da narrativa realista dos romances modernos».[^8]

Mas o apóstolo, que fica ligeiramente atrás de Boswell em exatidão histórica, sai-se muito bem em comparação com os salmistas. Referindo-se a eles como grupo, Lewis disse que eram «homens ferozes, cheios de autocomiseração e bárbaros».[^9] Ao falar de seus escritos, os Salmos, Lewis caracterizou alguns deles como «confusão fatal», «demoníacos», «diabólicos», «desprezíveis», mesquinhos e vulgares.[^10]

Lewis tampouco parou nesses adjetivos para descrever aquilo que chamava de «Sagrada Escritura». Ele escreveu: «A ingenuidade, o erro, a contradição e até mesmo (como nos salmos imprecatórios) a perversidade não são removidos. O resultado total não é 'a Palavra de Deus' no sentido de que cada passagem, por si mesma, ofereça ciência ou história impecáveis. Ela carrega a Palavra de Deus [...]».[^11] As Escrituras não são a palavra de Deus; elas «carregam» a palavra de Deus. «É o próprio Cristo», disse Lewis, «e não a Bíblia, quem é a verdadeira palavra de Deus. A Bíblia, lida com o espírito correto e sob a orientação de bons mestres, nos conduzirá a Ele».[^12] Segundo Lewis, a Bíblia não é a verdadeira palavra de Deus. Para nos conduzir a Cristo, precisa ser lida com o espírito correto (ele não nos disse o que isso significa) e sob a orientação de bons mestres. Ela não fala por si mesma, mas apenas por intermédio de seus intérpretes. De algum modo, quando menos esperamos, mas realmente precisamos disso para nossa «vida espiritual», saberemos «se determinada passagem está corretamente traduzida ou se é mito (mas, é claro, um mito especialmente escolhido por Deus dentre incontáveis mitos para transmitir uma verdade espiritual) ou história [...]. Mas não devemos usar a Bíblia (nossos pais o fizeram com excessiva frequência) como uma espécie de enciclopédia da qual se possam extrair textos [...] para serem usados como armas».[^13]

Parece claro que Lewis negava a inspiração verbal e plenária da Bíblia. Depois de estudar essas declarações, já nem temos certeza do que a palavra «inspiração» ou a expressão «palavra de Deus», muito menos «Sagrada Escritura», significavam para Lewis.

Ora, alguém poderia argumentar que uma pessoa ainda pode ir para o céu mesmo que não creia em partes da Bíblia e rejeite a doutrina da inerrância verbal. Os autores da Confissão de Fé de Westminster parecem discordar, ao afirmarem: «Por esta fé [salvadora], o cristão crê ser verdadeiro tudo quanto é revelado na Palavra, pela autoridade do próprio Deus que nela fala [...]». Eles rejeitam a noção de que o apóstolo João tenha cometido erros, de que alguns Salmos sejam diabólicos, de que existam contradições entre afirmações bíblicas e de que a mitologia faça parte do Antigo Testamento. Os teólogos da Confissão de Fé de Westminster prosseguem afirmando que os «principais atos da fé salvadora» se concentram somente em Cristo: «Os principais atos da fé salvadora são aceitar, receber e descansar somente em Cristo para a justificação, santificação e vida eterna, em virtude do pacto da graça» (14.2). Não é apenas a pessoa de Cristo, mas também sua obra, que constitui um objeto necessário da fé salvadora.

Lewis, assim como os demônios mencionados por Tiago, acreditava em um só Deus. Ele narra sua conversão ao monoteísmo em sua autobiografia, Surprised by Joy. No último capítulo desse livro, discute brevemente sua conversão ao cristianismo. Contudo, falando rigorosamente, mesmo essa conversão, quanto mais sua conversão ao monoteísmo, não foi uma conversão ao cristianismo, mas à crença de que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Essa também parece ser a fé de pelo menos um demônio, que em Marcos 1:24 se dirige a Jesus como «o Santo de Deus», que veio destruí-lo. Considerar Jesus como Messias, ou mesmo como divino, não é suficiente para a salvação, pois os judaizantes da Galácia, sobre os quais o apóstolo Paulo pronuncia maldições condenatórias, presumivelmente também criam em Jesus como Messias e na divindade de Cristo.

Eis como Lewis descreveu aquilo que considerava sua conversão ao cristianismo:

A última etapa de minha história, a transição do mero teísmo para o cristianismo, é aquela sobre a qual hoje tenho menos informações [...].

Assim que me tornei teísta, comecei a frequentar minha igreja paroquial aos domingos e a capela de minha faculdade durante a semana; não porque cresse no cristianismo, nem porque considerasse pequena a diferença entre ele e o simples teísmo, mas porque achava que era preciso «erguer a própria bandeira» mediante algum sinal exterior inequívoco [...].

Assim, minha frequência à igreja era uma prática meramente simbólica e provisória. Se ela de fato ajudou a me conduzir na direção cristã, eu não tinha e ainda não tenho consciência disso [...]. A verdadeira pista me havia sido dada por aquele ateu empedernido quando disse: «Coisa estranha, toda aquela história do Deus que morre. Parece que realmente aconteceu uma vez»; por ele e pelo incentivo de [Owen] Barfield a uma atitude mais respeitosa, embora não mais entusiasmada, em relação ao mito pagão. A questão já não era encontrar a única religião simplesmente verdadeira entre mil religiões simplesmente falsas. Era antes: «Onde a religião alcançou sua verdadeira maturidade? Onde, se é que em algum lugar, as sugestões de todo o paganismo se cumpriram?» [...]. O paganismo fora apenas a infância da religião, ou apenas um sonho profético. Onde estava a coisa plenamente desenvolvida? Ou onde estava o despertar? [...]. Na realidade, havia apenas duas respostas possíveis: ou no hinduísmo, ou no cristianismo [...].

Sei muito bem quando, mas mal sei como, o passo final foi dado. Fui levado de carro a Whipsnade em uma manhã ensolarada. Quando partimos, eu não acreditava que Jesus fosse o Filho de Deus, e, quando chegamos ao zoológico, acreditava. Entretanto, não passei exatamente a viagem refletindo.[^14]

A conversão de Lewis ao cristianismo, segundo seu próprio relato, equivale à aceitação da doutrina da Encarnação. Mas isso é fé salvadora? Isso é cristianismo? Se for, então todos os que creem na divindade de Cristo estão salvos. Contudo, nas próprias Escrituras, temos exemplos de pessoas que aceitam a divindade de Cristo e não são salvas. Até mesmo no juízo final haverá muitos que se dirigirão a Cristo como Senhor, reconhecerão sua divindade e, ainda assim, serão enviados ao inferno (ver Mateus 7:21-23).

O apóstolo Paulo considerava pelo menos outra doutrina como condição indispensável do cristianismo: a justificação somente pela fé. Ele não apenas deixa isso claro ao amaldiçoar aqueles que ensinam outro evangelho em sua carta aos Gálatas, mas também faz dessa doutrina da justificação o fundamento de seu argumento na carta aos Romanos.

Surge, então, a seguinte pergunta: Lewis cria na doutrina da justificação somente pela fé e a ensinava?

A resposta é que se procura em vão, em toda a sua obra bastante extensa, qualquer afirmação da doutrina da justificação. Ela certamente está ausente de Mere Christianity, no qual ele discutiu e defendeu aquilo que chamava de cristianismo. Nem The C. S. Lewis Readers’ Encyclopedia,[^15] nem The C. S. Lewis Encyclopedia,[^16] nem C. S. Lewis: A Companion and Guide[^17] contêm qualquer verbete sobre «justificação». Apenas um volume, The C. S. Lewis Index,[^18] contém alguma entrada sobre justificação, que nos remete a um comentário de Lewis em uma carta de 21 de dezembro de 1941 a Bede Griffiths, OSB, que cito aqui integralmente:

Veja, o que eu queria fazer nessas palestras [radiofônicas] era apresentar simplesmente aquilo que ainda é comum a todos nós, e tenho tentado obter um nihil obstat de amigos de diversas comunhões. (O outro discordante, além de você, é um metodista que diz que não falei nada sobre a justificação pela fé.)[^19]

É isso. Essa é a única menção à justificação pela fé citada por qualquer uma das quatro volumosas enciclopédias sobre Lewis.

Se procurarmos declarações de Lewis sobre a salvação, a justiça ou a fé, encontraremos várias, mas nenhuma delas afirma a justificação somente pela fé. Eis uma amostra do que Lewis disse:

A humanidade já está, em princípio, «salva». Nós, individualmente, temos de nos apropriar dessa salvação. Mas o trabalho realmente difícil, o pedacinho que não poderíamos ter feito por nós mesmos, já foi realizado por nós. Não precisamos tentar subir até a vida espiritual por nossos próprios esforços; ela já desceu até a raça humana. Se apenas nos abrirmos ao único Homem em quem ela está plenamente presente, e que, apesar de ser Deus, também é um homem verdadeiro, ele fará isso em nós e por nós. Lembrem-se do que eu disse sobre o «bom contágio». Um membro de nossa própria raça possui essa nova vida: se nos aproximarmos dele, seremos contagiados por ela.

É claro que se pode expressar isso de várias maneiras diferentes. Pode-se dizer que Cristo morreu pelos nossos pecados. Pode-se dizer que o Pai nos perdoou porque Cristo fez por nós aquilo que deveríamos ter feito. Pode-se dizer que fomos lavados no sangue do Cordeiro. Pode-se dizer que Cristo derrotou a morte. Todas essas afirmações são verdadeiras. Se alguma delas não lhe agradar, deixe-a de lado e prossiga com a fórmula que lhe agradar. E, faça o que fizer, não comece a discutir com outras pessoas porque elas usam uma fórmula diferente da sua.[^20]

Ora, esses parágrafos constituem um ataque ao cristianismo, não uma defesa dele.

A primeira frase de Lewis é uma negação da doutrina bíblica de que Cristo morreu por determinados indivíduos, aos quais se referiu como seu povo, suas ovelhas, seus amigos e aqueles que o Pai lhe deu, e não pela humanidade em geral. Cada um dos indivíduos pelos quais Cristo morreu será infalivelmente salvo, ou Cristo morreu em vão. A primeira frase de Lewis é uma negação de uma expiação eficaz e uma afirmação de uma expiação, se é que podemos chamá-la propriamente de expiação na teologia de Lewis, que torna possível, mas não efetiva, a salvação de qualquer pessoa.

Em seguida, Lewis descreveu a obra de Cristo como «o pedacinho que não poderíamos ter feito por nós mesmos». É verdade que também a descreveu como o «trabalho realmente difícil», mas, ao usar a palavra «pedacinho», Lewis minimizou a obra de Cristo e engrandeceu a obra dos pecadores na obtenção da salvação. Depois, Lewis empregou a expressão «nos abrirmos», uma metáfora para sabe-se lá o quê. Justamente quando a clareza era mais necessária, a obscuridade foi mais acentuada.

Lewis, porém, foi claro quanto ao que é a salvação: trata-se de uma mudança subjetiva no pecador, à qual chamou de «bom contágio». Na teologia de Lewis, um pecador não é salvo por uma justiça perfeita, exterior a ele, imputada à sua conta, mas por um contágio subjetivo, ao qual chamou de «nova vida». Jesus faz isso «em nós e por nós». Se nos aproximarmos «o suficiente» dele, seja lá o que isso signifique, contraímos a nova vida, assim como se contrai uma infecção.

Lewis, assim como alguns dos judeus do Antigo Testamento, não compreendeu e, portanto, não pôde obedecer à ordem de olhar, à distância, para a serpente de bronze que Moisés havia feito para salvá-los do veneno que devastava seus corpos.[^21] Como algo fora deles poderia salvá-los do veneno que estava dentro deles? No entanto, foi precisamente isso que Cristo disse a respeito de sua obra: «E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna» (João 3:14-15).

Em seu segundo parágrafo, Lewis apresentou o que, segundo ele, seriam várias maneiras diferentes de dizer o que havia afirmado no primeiro. Disse-nos que todas são «verdadeiras». Então, em um movimento extraordinário, disse-nos que podemos aceitar ou rejeitar qualquer uma dessas afirmações verdadeiras, ou todas elas, dependendo do que nos «agrade». Que tipo de verdade é essa, desprovida de autoridade? Parece que nosso gosto, nossa preferência pessoal, é o único fundamento para aceitar ou rejeitar essas afirmações que Lewis declarou serem «todas verdadeiras». Lewis não insistiu que aceitássemos todas essas afirmações verdadeiras. Podemos aceitá-las ou deixá-las de lado, conforme nosso gosto. No momento em que era mais importante insistir na primazia e na autoridade da verdade, Lewis caiu no subjetivismo e no relativismo. Se alguém rejeitar essa conclusão argumentando que Lewis queria apenas dizer que todas essas expressões eram figuradas e que podemos escolher a figura de linguagem que nos pareça mais agradável, então a afirmação «Cristo morreu pelos nossos pecados» é apenas uma figura de linguagem, e a expiação desaparece.

A razão pela qual Lewis considera essas expressões sem importância fica clara em sua última frase: ele nos ordenou, e não temos a opção de aceitar ou rejeitar esse decreto, que não discutíssemos com ninguém que usasse uma «fórmula» diferente. Aparentemente, as fórmulas teológicas são muito mais flexíveis que as fórmulas químicas, pois podemos usar qualquer fórmula teológica que desejarmos sem sofrer dano algum. O realmente importante, segundo Lewis, é não discutir. Isso, evidentemente, não é cristianismo, pois os cristãos da Bíblia estavam sempre discutindo com alguns que também professavam ser piedosos e cristãos. É uma cegueira peculiar ler o Novo Testamento e não perceber cristãos como Paulo, Tiago, Pedro e João, sem falar do próprio Cristo, constantemente confrontando e corrigindo aqueles que se professavam cristãos, mas cujas ações e fórmulas estavam erradas. Longe de incentivar a discussão e o debate teológicos, Lewis os proibiu, escrevendo: «Nossas divisões nunca deveriam ser discutidas, exceto na presença daqueles que já passaram a crer que há um só Deus e que Jesus Cristo é seu único Filho».[^22] Que tolice a do Espírito Santo (falo como louco) ter colocado debates e denúncias em um livro que qualquer incrédulo pode pegar e ler.

Por fim, entre as fórmulas teológicas que Lewis enumerou como capazes de nos salvar, falta o Evangelho completo: a justificação somente pela fé. Ele nem sequer a mencionou.

Consideremos outra declaração de Lewis:

Os cristãos têm discutido frequentemente se o que conduz o cristão ao lar são as boas ações ou a fé em Cristo. Na verdade, não tenho o direito de falar sobre uma questão tão difícil, mas ela me parece semelhante a perguntar qual das duas lâminas de uma tesoura é a mais necessária. Um esforço moral sério é a única coisa que o levará ao ponto de se dar por vencido. A fé em Cristo é a única coisa que pode salvá-lo do desespero nesse momento; e dessa fé nele devem inevitavelmente proceder boas ações.[^23]

Segundo Lewis, tanto a fé em Cristo quanto as «boas ações» são necessárias para conduzir um cristão «ao lar». O apóstolo Paulo diz que isso não é cristianismo («Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?»),[^24] e qualquer um que ensine isso não chegará «ao lar». Além disso, Lewis parecia pensar que toda pessoa precisa chegar ao desespero antes de poder converter-se, mas certamente não é esse o caso. O apóstolo Paulo, para não falar de Tiago, João e André, não parecia estar desesperado antes de sua conversão. Tampouco temos qualquer registro de que os outros apóstolos estivessem desesperados antes de suas conversões. Na verdade, é difícil encontrar nas Escrituras algum crente que tenha de passar pela chamada «noite escura da alma», sobre a qual os místicos estão sempre tagarelando, antes de se converter. Jó talvez tenha passado por algo assim, mas já era convertido. Por outro lado, Judas Iscariotes entrou em desespero e não se converteu. Aqui Lewis parecia transformar sua própria experiência anterior à conversão ao monoteísmo em norma para todas as conversões.

Uma terceira declaração tornará mais clara a teologia de Lewis:

E permitam-me deixar perfeitamente claro que, quando os cristãos dizem que a vida de Cristo está neles, não querem dizer simplesmente algo mental ou moral. Quando falam de estar «em Cristo» ou de Cristo estar «neles», isso não é apenas uma maneira de dizer que estão pensando em Cristo ou imitando-o. Querem dizer que Cristo está realmente operando por meio deles; que o conjunto inteiro dos cristãos é o organismo físico por meio do qual Cristo age, que nós somos seus dedos e músculos, as células de seu corpo. E talvez isso explique uma ou duas coisas. Explica por que essa nova vida é transmitida não apenas por atos puramente mentais, como a crença, mas também por atos corporais, como o batismo e a Sagrada Comunhão. Não se trata apenas da propagação de uma ideia; é algo mais semelhante à evolução, um fato biológico ou superbiológico [...]. Ele usa coisas materiais, como pão e vinho, para colocar a nova vida dentro de nós.[^25]

Não comentarei aqui os erros metafísicos de Lewis, mas me concentrarei simplesmente em suas três últimas frases. Primeiro, ele disse que a nova vida é transmitida por atos corporais, como o batismo e a Sagrada Comunhão. Aqui Lewis abandonou silenciosamente seu objetivo declarado de apresentar o «mero cristianismo» e ensinou uma concepção dos sacramentos que não apenas não é comum a todas as denominações que professam o cristianismo, mas também se opõe diretamente às Escrituras. Se atos corporais podem conferir nova vida, isto é, salvação, então a fé cristã é desnecessária para a nova vida e a salvação. Lewis extraiu essa conclusão, pois no parágrafo seguinte escreveu:

Eis outra coisa que costumava me deixar perplexo. Não é terrivelmente injusto que essa nova vida esteja restrita às pessoas que ouviram falar de Cristo e puderam crer nele? Mas a verdade é que Deus não nos disse quais são suas disposições a respeito das outras pessoas. Sabemos, sim, que ninguém pode ser salvo a não ser por meio de Cristo; não sabemos que somente aqueles que o conhecem podem ser salvos por meio dele.[^26]

A verdade, é claro, é que Deus de fato nos disse quais são suas «disposições a respeito das outras pessoas», isto é, daqueles que não creem em Cristo. Cristo disse: «Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus» (João 3:18). O problema é que Lewis simplesmente não gostava dessa «disposição». Por isso, afirmou falsamente que «Deus não nos disse quais são suas disposições a respeito das outras pessoas». Lewis rejeitou o Deus das Escrituras, que decide soberanamente quem irá para o céu e quem irá para o inferno. Considerava tal disposição «terrivelmente injusta». Sua última frase, «não sabemos que somente aqueles que o conhecem podem ser salvos por meio dele», contradiz diretamente as declarações de Cristo em João 3:14-18, pois Cristo afirma repetidamente que somente aqueles que conhecem o Filho podem ser salvos e que aqueles que não conhecem o Filho estão condenados. Lewis negou que a fé cristã seja necessária para a salvação.

Ele escreveu:

[H]á pessoas que não aceitam a doutrina cristã completa a respeito de Cristo, mas que são tão fortemente atraídas por ele que lhe pertencem em um sentido muito mais profundo do que elas próprias compreendem. Há pessoas de outras religiões que estão sendo conduzidas pela influência secreta de Deus a se concentrar nas partes de sua religião que concordam com o cristianismo e que, assim, pertencem a Cristo sem saber disso. Por exemplo, um budista de boa vontade pode ser levado a concentrar-se cada vez mais no ensinamento budista sobre a misericórdia e a deixar em segundo plano (embora ainda possa dizer que acredita nele) o ensinamento budista sobre certos outros pontos. Muitos dos bons pagãos, muito antes do nascimento de Cristo, podem ter estado nessa situação.[^27]

E, fazendo eco a Kierkegaard:

Penso que toda oração feita sinceramente, mesmo a um deus falso ou a um Deus verdadeiro concebido de maneira muito imperfeita, é aceita pelo Deus verdadeiro, e que Cristo salva muitos que não pensam conhecê-lo.[^28]

A sinceridade, e não a verdade ou o conhecimento da verdade, é o que torna uma oração salvadora, segundo Lewis, e alguns budistas («budistas de boa vontade») e pagãos («bons pagãos») também serão salvos.

Nessas declarações, Lewis estava simplesmente desenvolvendo algumas das implicações do universalismo inerente às suas noções antibíblicas de que Cristo morreu pela humanidade, de que, em princípio, toda a humanidade já está «salva» e de que Deus envia «bons sonhos» a todas as pessoas na forma de mitologia.

Apesar de suas palavras piedosas sobre Cristo ser a verdadeira palavra de Deus, Lewis rejeitou a concepção bíblica tanto de Cristo quanto da Bíblia. Na verdade, afirmou que Cristo, assim como as Escrituras, cometeu erros. Lewis se referiu a Marcos 13:30, «Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam», como «certamente o versículo mais embaraçoso da Bíblia». Prosseguiu: «A única manifestação de erro e a única confissão de ignorância [Marcos 13:32] aparecem lado a lado. Que ambas tenham sido proferidas pelo próprio Jesus, e não apenas colocadas em sua boca pelo relator, certamente não precisamos duvidar [...]. Os fatos, portanto, são estes: Jesus declarou-se (em certo sentido) ignorante e, um instante depois, demonstrou que realmente o era».[^29]

Essas declarações demonstram que Lewis não apenas negava a inerrância das Escrituras, mas também a inerrância de Cristo. Por que, então, afirmava que Cristo é a «verdadeira palavra de Deus»? Qualquer que fosse o significado da expressão «palavra de Deus» para Lewis, ela não significava completamente verdadeiro ou digno de confiança.

O tempo não me permite discutir muitas outras doutrinas em que Lewis acreditava e que ensinava, e que contradizem a doutrina da justificação somente pela fé, mas cabe apresentar uma breve lista. Lewis ensinava e acreditava no purgatório (apesar de o Artigo 22 dos Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra descrever a doutrina do purgatório como «repugnante à Palavra de Deus»), fazia orações pelos mortos, acreditava na presença física do corpo e do sangue de Cristo no pão e no vinho, sacramento que passou a chamar de «Missa», praticava e ensinava a confissão auricular e acreditava na salvação batismal e no livre-arbítrio. Como vimos, rejeitava a inerrância das Escrituras e a justificação somente pela fé, bem como as doutrinas da depravação total e da soberania de Deus.

Assim, perguntamos novamente: C. S. Lewis foi para o céu? E nossa resposta deve ser: não, se ele acreditava naquilo que escreveu em seus livros e cartas.


Notas

[^1]: Este artigo foi apresentado na reunião anual da Sociedade Teológica Evangélica (Evangelical Theological Society), em Atlanta, Geórgia, em 19 de novembro de 2003.

[^2]: James Houston, «Reminiscences of the Oxford Lewis», em We Remember C. S. Lewis: Essays and Memoirs, organizado por David Graham, Broadman and Holman, 2001, p. 136.

[^3]: Isso talvez já não seja verdade, pois, em 19 de novembro de 2003, os membros da Sociedade Teológica Evangélica, violando sua própria Base Doutrinária, votaram por manter como membros em situação regular homens que negam a inerrância.

[^4]: «C. S. Lewis and God’s Surprises», em We Remember C. S. Lewis, p. 28.

[^5]: Reflections on the Psalms, p. 19.

[^6]: Letters of C. S. Lewis, organizado por W. H. Lewis, 1993, pp. 479-480.

[^7]: Michael J. Christensen, C. S. Lewis on Scripture, 1979, p. 24.

[^8]: Christian Reflections, pp. 154-155.

[^9]: Reflections on the Psalms, p. 24.

[^10]: Reflections on the Psalms, pp. 18-22. Suas palavras exatas são: «Mas, é claro, a confusão fatal entre estar com a razão e ser justo logo toma conta deles [os salmistas] [...]. Há também, em muitos dos Salmos, uma confusão ainda mais fatal: aquela entre o desejo de justiça e o desejo de vingança [...]. Ainda mais demoníaco [que o Salmo 109], em um de seus versículos, é o, em outros aspectos belo, [Salmo] 137 [...]. Isto [Salmo 23:5] pode não ser tão diabólico quanto as passagens que citei acima; mas a mesquinhez e a vulgaridade disso [...] são difíceis de suportar [...]. Uma maneira de lidar com esses Salmos terríveis ou (ousamos dizer?) desprezíveis é simplesmente deixá-los de lado».

[^11]: Reflections on the Psalms, p. 94.

[^12]: Letters of C. S. Lewis, p. 428.

[^13]: Letters of C. S. Lewis, p. 428.

[^14]: Surprised by Joy, 1956, pp. 230-237.

[^15]: Organizado por Jeffrey D. Schultz e John G. Wets, Jr., Zondervan, 1998.

[^16]: Colin Duriez, Crossway Books, 2000.

[^17]: Walter Hooper, Harper, San Francisco, 1996.

[^18]: Compilado por Janine Goffar, Crossway Books, 1998.

[^19]: Letters of C. S. Lewis, 1993, p. 364.

[^20]: Mere Christianity, pp. 156-157.

[^21]: Ver Números 21.

[^22]: Mere Christianity, p. 6. O monoteísmo e a divindade de Cristo parecem constituir a definição mínima de cristianismo adotada por Lewis.

[^23]: Mere Christianity, p. 129.

[^24]: Gálatas 3:3.

[^25]: Mere Christianity, pp. 64-65.

[^26]: Mere Christianity, pp. 64-65.

[^27]: Mere Christianity, pp. 176-177.

[^28]: Letters of C. S. Lewis, p. 428.

[^29]: «The World’s Last Night», em The World’s Last Night and Other Essays, 1960, pp. 98-99. Observe que Lewis inverteu a sequência das declarações de Cristo para sustentar seu argumento.


Sobre o autor

O Dr. John W. Robbins residia no condado de Unicoi, Tennessee. Nascido e criado na Pensilvânia, recebeu seu bacharelado pelo Grove City College (Pensilvânia) em 1969, cum laude, com as mais altas honras em Ciência Política. Prosseguiu seus estudos de pós-graduação na Universidade Johns Hopkins (Maryland), obtendo o mestrado em Teoria Política (1970), aos 21 anos, e o doutorado em Filosofia e Teoria Política (1973), aos 24 anos.

Em 1973, o Dr. Robbins tornou-se assistente legislativo do congressista de Indiana Earl Landgrebe e, posteriormente, trabalhou, ao longo dos 20 anos seguintes, em diversas funções para várias instituições dedicadas a políticas públicas: The Heritage Foundation (analista econômico), The Templeton Foundation (consultor), Western Islands (editor), Tax Reform Immediately (diretor nacional), The Foundation for Economic Education (editor de The Freeman) e The Institute for Policy Innovation (presidente). Atuou como assistente legislativo (1976, 1979-1981) e chefe de gabinete (1981-1985) do congressista do Texas Dr. Ron Paul.

Em 1977, o Dr. Robbins fundou um centro de estudos cristão, The Trinity Foundation, e, sob sua direção, a Fundação publicou 75 livros, 180 palestras e 275 ensaios; promoveu conferências e seminários em vários estados; e publicou um boletim mensal por mais de 30 anos.

O Dr. Robbins escreveu vários livros e centenas de ensaios, além de proferir palestras ou lecionar em diversas instituições de ensino superior, incluindo a Universidade Harvard, a Universidade do Colorado, a Universidade do Texas, a Universidade Biola, o College of the Southwest, o Western Reformed Seminary e o Chesapeake Seminary. Era membro de duas sociedades acadêmicas, a Sociedade Teológica Evangélica (Evangelical Theological Society) e a Sociedade Filosófica Evangélica (Evangelical Philosophical Society).

O Dr. Robbins foi eleito e ordenado presbítero na Igreja Presbiteriana na América e recebeu licença para pregar do Presbitério de Westminster, mas deixou essa denominação porque ela não disciplinava os mestres que ensinavam um evangelho diferente. Foi presbítero de uma congregação reformada chamada Reformation Church.

O Dr. Robbins e sua esposa, Linda, tiveram três filhas, dois genros e seis netos. O Dr. John W. Robbins foi para o lar, junto de seu Senhor e Salvador, em 14 de agosto de 2008.